quinta-feira, 25 de maio de 2017

Princesas, Bruxas e uma Sardinha na Brasa [Literatura Infantil]


Sou apaixonada por contos de fadas, tanto por pura paixão literária quanto por todo potencial didático que o gênero contém em si. Além de seu potencial lúdico, sendo textos gostosos de se ler, também guardam em si muitos dos valores culturais das sociedades que os criaram e portanto são ótimos instrumentos para provocar debates e nos fazer pensar e repensar a vida.

Encontrar livros de contos de fadas não é algo difícil, autores e as editoras tem plena consciência do apelo desse gênero literário entre professores e crianças e não economizam nos lançamentos. Difícil mesmo é encontra livros nos quais os autores consigam equilibrar o caráter didático e lúdico do conto e construírem um texto tanto provocativo quanto bonito e divertido de ler. Não é um exercício tão fácil encontrar livros tão equilibrados quanto "Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa".


Contando com Helena Gomes e Geni Souza no texto e Alexandre Camanho na arte, o livro possui oito histórias nas quais os personagens femininos ocupam lugares centrais como heroínas, vilãs, nem com uma coisa nem outra. De maneira inteligente as autoras revisitaram contos clássicos da literatura mundial, dialogaram com eles e criaram histórias nas quais o protagonismo feminino é explorado fugindo de esteriótipos ou até mesmo questionando eles.

Entre as histórias das autoras exploram as necessidades e buscas femininas - talvez até feministas - por educação escolar, letramento, liberdade, amizade e cumplicidade. Coisas que vão muito além de um casamento vantajoso com um príncipe com o qual se cruzou em um baile.


E se as autoras discutem o papel feminino na sociedade e dão voz aos nossos anseios, o Alexandre Camanho da cor e forma aos textos e se eu fiquei apaixonada pela arte dele em "Dragões, maçãs e uma pitada de cafuné" agora eu cheguei no nível do amor. As ilustrações casam lindamente com o texto e fazem do livro uma coisa linda para se ter na estante.


"Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa" é o volume 2 da coleção "Contos e Contadoras" lançada pela Editora Biruta na qual as autoras usam o gênero conto de fadas para discutir temas relevantes sobre a sociedade na qual vivemos. No vol. 1 "Dragões, maçãs e uma pitada de cafuné" o tema foi ética, no vol. 2 foi o papel da mulher, o próximo, "Reis, moscas e um gole de morte" vai discuti sobre justiça e eu já estou ansiosa para conferir o resultado.

Se você ficou curiosa ou curioso com os livros e quiser da uma olhadinha na parte interna deles e nas primeiras páginas no site da Editora Biruta da para conferir as primeiras páginas do livros é só clicar AQUI para conferir "Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa" e AQUI para conferir "Dragões, maçãs e uma pitada de cafuné". A editora também tem uma lojinha vitual na qual a gente pode encontrar todos os livros por um bom preço.

domingo, 7 de maio de 2017

Monstro do Pântano: Raizes


Encontrei com o vol. 1 da HQ "Monstro do Pântano: Raízes" integrante da coleção "Clássicos DC" na banca onde costumo comprar mangás e por muito ter ouvido falar desse personagem resolvi aproveitar a oportunidade de conhecer as origens do personagem pessoalmente e adorei.

Fiquei fascinada com o roteiro de Len Wein, a arte de Bernie Wrightson e a forma como eles construíram seu personagem dialogando clássicos da literatura ligados ao terror. Nos dois volumes da coleção "Clássicos DC" que reúne os 13 primeiros volumes da "Mostro do Pântano" publicados originalmente na década de 1970.


A primeira aparição do Monstro do Pântano foi na revista "The House Of Secrets" na qual é contada a história do jovem cientista Alec Olsen que possui uma vida feliz com sua bela esposa até ser vitimado pela inveja de um amigo e então se transforma em um monstro. A história de como Olsen se transforma no monstro verde e musgoso é contada em oito páginas e jamais é retomada quando Len Wein e Bernie Wrightson decidem a pedido dos chefões da DC retomar a história ele elaboram um começo novo.


Na série imortalizada por filmes, séries de tv e derivativos, o protagonista é o doutor Alec Holland o qual se muda para um galpão em um pântano para junto com sua esposa Linda Holland pesquisar uma formula para fazer vida vegetal florescer nos lugares mais áridos do mundo. Quando os dois começam a ter sucesso em sua empreitada chamam a atenção de criminosos cujas astucias transformam o doutor no Monstro do Pântano e destroem a vida de sua esposa.


Transformado em uma forma de vida vegetal o doutor Alec Holland em um primeiro momento não consegue se comunicar com as pessoas e acaba sendo caçado por amigos e alvo de sequestro, tramoias maquiavélicas e hostilidades que o lançam em diversas aventuras.

Nessas aventuras ele será obrigado desbravar castelos medievais localizados nas montanhas elevadas dos Bálcãs, encontrar com monstros sintéticos dignos de botar medo no próprio Doutor Victor Frankenstein, lobisomens em charcos obscuros, bruxas injustiçadas, fantasmas de escravos vingativos, dinossauros, viajantes do tempo, extraterrestres e até mesmo o Batman.


No entanto, o Monstro do Pântano é dotado de força e inteligencia, ele é quase indestrutível então pouco a pouco vai superando seus inimigos e até alguns amigos pelo caminho.


Cativante, com pinta de socialmente excluído, fora do padrão branco, alto, olhos claros tipo Batman ou Superman, o Monstro do Pântano é herói com estética de vilão e não por acaso os amigos que ele encontra pelo caminho também são personagens historicamente marginais como bruxas injustiçadas ou fantasmas de homens negros vitimas da escravidão.

Agora me digam, como não amar um personagem assim? Acompanhei as 13 aventuras escritas pelo Len Wein gostando muito de tudo e larguei ele com pena, desejando um reencontro futuro com essa criatura atormentada pela alegria que perdeu e pela incerteza do futuro.